Ser Mãe (ou Pai!) sozinha, de acordo com aquilo que sonhámos e projectámos, é uma arte. Eu tive que descobrir como poderia realizar o meu sonho. Primiero foi preciso perceber o que era importante para mim. Eles são 3. Todos bem diferentes e com necessidades muito distintas. E algo que ficou claro, rapidamente, foi que quero estabelecer com cada um (em separado!) uma relação única.
Um dia, dei comigo às voltas a pensar como poderia concretizar isto. A ideia de ter um tempinho só para cada um deles, agradava-me. Sem outro adulto lá em casa, a tarefa tornava-se mais complexa. Não há a quem dizer: "Fica com estes dois que eu vou ali fazer uma coisa com o outro". Despejar as crianças, todas as semanas, à vez, para que pudesse ter um tempo especial, de cumplicidade com cada um, também não estava nos meus planos.

(imagem da Casa das Letras)
Foi assim que nasceu, lá por casa, o conceito de "O meu tempo". Funciona de um modo muito simples. À 2ª f, quando chegam, estabeleço quando será o tempo de cada um. Habitualmente são 15 minutos, mesmo antes de apagar a luz. Já percebi que funciona melhor ser nos primeiros 3 dias da semana (de 2ª a 4ª). No meu quarto, de porta fechada (dá ideia de algo secreto, privado), o feliz contemplado escolhe como quer ocupar esse momento - ler uma história, conversar, coçar-lhe as costa... Os outros vão para a cama ler ou fazer algo tranquilo.
Ultimente, para além do "Tempo da Madalena", do "Tempo do Zé Maria" e do "Tempo da Matilde", estabeleci o "Tempo da Mãe". Muitas vezes acontece à 5ªf. Eles ajudam-me com as tarefas domesticas para que eu me possa despachar e ter um tempo de verdadeiro lazer, a fazer o que aprecio e me apeteça. Talvez porque já há muito tempo que experimentam o prazer deste momento, compreendem como é importante para mim também ter "o meu". Acho que é por isso que são tão disponiveis a ajudar-me a arrumarem tudo antes de irem dormir.
Lá por casa ouve-se, um dia por semana: "Hoje é o tempo de quem?" / "Hoje é o tempo da Mãe!"
P.S.: Claro que aproveitamos muito bem o que a vida nos dá e sempre que, por razões que nos ultrapassam, eu fico só com algum deles, transformamos o momento "num tempo extra super-especial"
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