segunda-feira, 4 de junho de 2012

À conversa, à volta da mesa...

Depois de uma semana louca, chegou o fim de semana. E que bem que me soube! Num dos dias surgiu uma pergunta e daí nasceu uma conversa à volta da mesa:

"- Mãe, porque é que temos trabalhos de casa (TPC's)?
- O que é que vocês acham?
- Para estudarmos mais.
- Para aprendermos mais.
- Sim, a vossa escola considera que os TPC's servem para os alunos treinarem mais o que aprenderam e poderem ser ainda melhores alunos mas eu tenho uma opinião diferente. Acho que quando vimos para casa há outras coisas importantes para fazermos...
- Pois. É importante conversarmos...
- Estarmos juntos...
- Fazer coisas giras e descansar.
- Podia dizer ao professor A. (responsável pelo 1º ciclo) que em vez de termos tanto tempo de intervalo, fazíamos mais trabalhos e depois já não trazíamos trabalhos para casa.
- Mas os intervalos são importantes, disse eu. Para descansarmos, para comermos, para irmos à casa de banho, para brincar...
- Mas temos muito tempo à hora de almoço, se em vez de 2h tivessemos só 1h já não precisávamos de trazer TPC's.
- Essa é uma ideia muito boa. Queres propô-la ao A.?
- Eu? Não. Diz-lhe tu.
- Já disse, afirmei eu. Já lhe disse o que pensava sobre os TPC's
- A sério?
- Sim. Se eu fosse a dona de uma escola, se eu mandasse numa escola, ela era muito diferente. A ti, podia pedir-te que escrevesses uma noticia sobre uma equipa de futebol, que pensasses como organizarias um torneio (quantas equipas, quantos jogadores, quantos jogos...), que pensasses no que os jogadores deveriam comer... E depois tinhas que me apresentar um projecto. A ti, podia pedir-te um projecto para construção de uma biblioteca e a ti que organizasses uma escola de ginástica. Que disciplinas precisavam de saber para fazer estes trabalhos?
- Todas! Disseram em coro.
- Mãe, podes descobrir uma escola assim."



Não sei se por acaso (acho que não, que eu não acredito em acasos!), no sábado quando fomos à biblioteca os meus olhos caíram num livro, também ele relacionado com escola - Dona Miquelina, o seu Filho a a Professora. Uma delicia! Que vale a pena e que me deixou a pensar: a capacidade de "entrar no mundo do outro" e dificil arte de aceitar as pessoas como são, sem estarmos sempre a querer mudá-las.


Eu que nos últimos tempos me sentia tão dividida entre aquilo em que eu acredito e aquilo que a escola dos meus filhos propõe, bombardeada por muitos "os pais devem... passar a mesma mensagem que a escola / reforçar o que a escola diz e manda fazer / não criar confusões na cabeça das crianças / devem acompanhar sempre os TPC's dos filhos / devem deixar a escola entrar pela família dentro". Na 6ª feira, com a leitura das palavras do Mário Cordeiro, libertei-me e fiquei em paz. Talvez por isso, pela primeira vez, tenha sido capaz de falar da minha escola de sonho aos meus filhos. Sem culpas, nem remorços. Assumindo a minha diferença relativamente aquilo que eles vivem diariamente.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

As prioridades que me deixam a pensar...

Esta é uma semana cheia de eventos escolares e de actividades extra-curriculares. Anseio pelo sábado à hora do almoço, altura em que o ritmo abrandará um pouco. Mas o que me deixou mesmo a pensar foram as prioridades da escola dos meus filhos para alterar o calendário inicial dos festivais de ginastica - o cartaz do Rock in Rio!

Cá por casa gostamos de partilhar os momentos importantes de cada um. Assim, se há vontade, mobilizamo-nos para presenciar os acontecimentos importantes da vida (seja da Mãe, seja de cada um dos filhos). Por isso, foi com tristeza que vi anteciparem as datas dos festivais de ginástica, isto porque o da Madalena seria na vespera dos testes intermédios da Matilde. Sabia que o evento implicaria mudança de rotinas - não faria mal, somos flexíveis! Mas sabia também que implicaria deitar tarde e se há coisa que defendo é que em véspera de testes, um sono tranquilo e reparadouro vale mais do que muitas horas de estudo! É um bom antídoto para faltas de concentração e excessos de ansiedade. Ora, posto isto vi-me com um dilema: o festival OU o descanso (e consequentemente o teste)? O que era mais importante? Tentei conciliar tudo à boa moda das Super - Mães. Às 21h30 cheguei ao limite. Consegui trazer a Matilde para casa, a choramingar (tal não era o cansaço!), para poder ter sonhos bons e inspiradores. Os outros vieram depois, mais tarde, com o pai, assim que terminou o desfile da natação do Zé Maria.


Hoje de manhã, ia decidida a expressar a minha opinião (de desagrado) junto do professor responsável pelo 1º ciclo. E qual não foi o meu espanto quando percebi que uma forte motivação da mudança de datas (a anterior não colidia com testes e era mais proxima do fim de semana) era o cartaz do Rock in Rio - que assim, provavelmente, os miudos mais velhos não estariam presentes no sarau da escola. Fiquei a pensar:
  • Quais são as prioridades e que mensagens passa a escola aos miudos? Que podem ter tudo? Que o mundo se ajusta às suas vontades? Que não precisam de fazer escolhas (entre um evento da escola e um concerto)? Que o produto em grande (o festival) é mais importante? Porque defende aquela escola os desempenhos e os rankings, que a família a participe nos eventos e depois cria calendários incompatíveis com esses "valores"? Para nos fazer escolher ;-)? (ah!ah!ah!)
Não tenho respostas. Apenas perguntas. Muitas. Que escola quero para os meus filhos? O que valorizo eu?

Muitas vezes me perguntam como é que eu faço o caminho que me permite ser livre. Assim. Aproveitando todos os acontecimentos e circunstâncias, para arrumar a casa e ficar de bem com a vida! Se é fácil? Nada disso! Mas a sensação de liberdade é muito boa!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

É 6ªfeira... Dia de abrandar e de começar a aproveitar

É 6ªfeira. Apetece-me escrever qualquer coisa antes de ir de fim de semana. Tenho tantas ideias na minha cabeça que o dificil é escolher. Gosto que o sábado e o domingo sejam dias de abrandar, de descansar, de fazer o que nos apetece. Sem horas e sem pressas. Nem sempre é fácil. Mas quando olho para os miudos e os vejo a deixar as brinacdeiras montadas (para serem retomadas várias vezes durante aqueles dois dias) ou quando os vejo vestidos como lhes apetece, digo para os meus botões: "objectivo alcançado".



O dificil, por vezes, é entrar nesse modo. Ser capaz de abstrair da desarrumação que se estabelece. Almoçar com uma sevilhana, com um empregado de um restaurante imaginário  ou com um ainda de pijama pode ser fantástico. O dificil é confiar, deixar de controlar. Acreditar que no domingo ao final da tarde, serão capaz de pôr a casa em ordem para entrarmos na rotina da semana de trabalho. Se consigo tudo isso, curtir o momento é maravilhoso. Sabe-me mesmo bem, começo a semana verdadeiramente revigorada. Feliz.

E sim, acho que vê-los fazer de conta sabe-me mesmo bem. Vejo toda a imaginação e criatividade à flor da pele. Certifico-me que apesar de crescerem em idade e tamanho continuam a alimentar a criança que trazem dentro deles.

É fim de semana. Hora de abrandar e de aproveitar.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jogo "Pesca da Amizade"

No inicio do 3º período a Madalena informou-me que teria que realizar um trabalho para a disciplina de Moral. Pediu-me ajuda para a sua concretização. Verbalizou "quero fazer alguma coisa a 3D". Começou, logo, a cuspir muitas ideias de produto - final e listas de materiais que era preciso comprar. Mas aqui a Mãe, a exercitar permanentemente o "slow down", disse: "STOP, vamos começar pelo principio. No teu caderninho (a Madalena tem um caderninho onde vamos escrevendo coisas, eu e ela) vais escrever o que é para ti a Amizade e Ser Amigo" (este era o tema do dito trabalho). Assim fez.

Apresentou-me as ideias e perguntou: "Já podemos fazer o trabalho e comprar o material?". Ao que prontamente lhe respondi que não. Era preciso dar mais passos até chegar à meta. Desafiei-a a associar a cada ideia uma imagem. E depois disso, propus-lhe: "E se com isso inventasses um jogo? Escreve todas as ideias que te venham à cabeça!" Daí à concretização foi muito rápido e o resultado está maravilhoso: um jogo original, único (Jogo da Pesca da Amizade), bem estruturado e que responde ao pedido da professora (acho eu!).


"Ser amigo é ser simpático" (imagem que ilustra a ideia no jogo)

O trabalho de Moral foi, também para mim, uma oportunidade de treino, reflexão e crescimento. Obriguei-me, mais uma vez, a parar e a pensar antes de agir. Sou uma pessoa criativa e por isso, muitas vezes quero ver logo o produto final. Penso muitas vezes que, hoje em dia, os miudos são todos muito apressados porque nós também vivemos assim - com a cabeça e o coração mais no futuro do que no presente. Ao longo do caminho, fui dando a cana  para a Madalena fazer a sua pescaria e não é que ela inventou e escolheu um jogo com esse nome ;-) Não fiz nada por ela, dei-lhe os inputs para que fosse desenvolvendo as ideias que iam surgindo. Às vezes, é mais facil fazer por eles mas dessa forma será dificil aprenderem a imaginar e concretizar projectos. Valorizei o processo. O produto está muito giro e ela está orgulhosa mas o que eu sinto mesmo (e explicitei-o junto dela) é que valeu a pena investir no processo e saborear o caminho. Não é assim que deve ser a aprendizagem? E não é assim também que vale a pena viver a vida?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Às vezes só resta mesmo prepará-los...

Por mais que nos custe, às mães e aos pais, às vezes só nos resta mesmo prepará-los. Para irem para a escola. Para irem dormir a casa de um amigo. Para irem à ginástica ou à natação. Para irem... Para partirem para a vida.

Os meus, por forças das circunstâncias, andam, semana sim, semana não, com a casa às costas, como o caracol. O que tem coisas boas e coisas más. Habitualmente, escolho olhar para os ganhos que recolhem da situação. É o que é e não há nada a fazer.

Mas há dias em que tudo fica mais embaciado e em que também vejo o outro lado. Sei que acabam por crescer um bocadinho mais cedo e mais depressa. Sei que acabam por ter responsabilidades que a maioria das crianças não terá. Sei que quero estar ao lado deles e apoiá-los a nesse crescimento precoce. Sei que...
  • sabem fazer mochilas com a sua roupa e os seus pertences muito bem (estão prontos para ir de férias sozinhos, fazer um inter-rail ou estudar fora, se assim o desejarem)
  • sabem olhar muito bem para o seu corpo, ir descobrindo o que funciona e o que não funciona e tratar dele - sabem ajudá-lo (de uma forma natural e saudável) a curar as feridas que vaõ fazendo
  • sabem providenciar comida para si - fazer lanches e até algumas refeições
  • sabem que eu sou uma mãe que os acolhe SEMPRE mas que os impulsiona para a autonomia pois acreddito que essa é a forma de os ajudar a crescer mas também a protegerem-se!
Olho para eles com orgulho, vejo-os partir nas suas pequenas-grandes aventuras. Acredito que são uns miudos felizes e que levam na mochila muito amor, confiança, segurança e o GPS que os tratará de volta até mim se de alguma coisa precisarem!


P.S. - Tudo isto se treina no dia a dia, deixando-os fazer, experimentar e acreditando verdadeiramente que são capazes (mostrando-lhes isso mesmo). E o mais giro é ver eles a desenvolverem-se, a irem mais além. Mas às vezes, eu preciso de "combustivel". Para mim, os livros são mágicos e impulsionam-me. E porque a vida é feita de Picos e de Vales, acho que vale mesma a pena ler. Dá forças para quando precisamos de sair do Vale e relembra-nos a importância de apreciar as subidas e as descidas. Põe-nos a pensar como poderemos ficar mais tempo no Pico e saborear o que vemos de lá de cima!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Domingo

E pronto! O fim de semana foi quase todo como eu imaginei. Teve algumas surpresas mas boas. Tempo com amigos. Miminhos que sabem bem.


O sol maravilhoso e a oportunidade de correr junto ao mar fizeram-me bem à alma. Correr é um dos meus desportos de eleição, costumo compará-lo com a vida e com o modo como a encaro. Não sou corredora de grandes tempos nem de velocidades. Sou uma corredora de fundo. Paciente. Que uma vez marcado o ritmo, consigo manter-me assim indefinidamente. De um modo pressistente. Atrás dos objectivos. É assim que faço quando corro: estabeleço a meta e depois, ao longo do percurso, pequenos objectivos - "tenho que chegar aquele banco", "agora tenho que chegar ao semáforo", "depois até à curva" e por aí fora. Sem quase dar conta, chego lá. Pelo caminho vou celebrando os metros que precorro.

Umas vezes gosto de correr com companhia. Sabe bem. São dois dedos de conversa mas também o incentivo e o apoio que nos fazem ir mais além: "tu consegues", "estás bem?", "até onde vamos correr hoje?". Mas há dias em que gosto de ir sozinha, sentir os cheiros (do mar, das flores, das gentes), o calor do sol, a humidade, o vento que bate na cara. Ao som da música, são momentos de bem estar, de plenitudade que me fazem sentir revigorada. Pronta para abraçar a semana que começa.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Maio mês da Mãe, talvez mês da Mulher, definitivamente mês de Mim


Há imenso tempo que não escrevo. Não que não em apeteça. É a vida que às vezes me atropela. Surgem umas coisas atrás das outras - é o trabalho, é a casa, são os miúdos, são os amigos, as festas, a família alargada. É tudo e tudo ao mesmo tempo. Mas sinto falta de escrever, por isso estou de volta com ideias, reflexões, acontecimentos, sugestões de leitura. Talvez não precise de ser tão exigente com os meus post. Talvez o mais importante seja mesmo escrever. Por isso, aqui estou eu, de volta.

Maio começou de um modo diferente. Quase sem dar conta, fui atrás da recuperação de miminhos, momentos, companhias. É verdade que no primeiro fim de semana foi o dia da Mãe. Assinalado de muitos modos lá por casa - com idas à escola em vários dias (que dificuldade conciliar e chegar a tudo, mas lá dei conta do recado), com presentes feitos pelos miudos, com miminhos e beijinhos mas... também com zanga, irritação e discussão. Na verdade, logo de manhã não começou da melhor forma. Tinha sonhado e deixado escrito o que queria - um pequeno almoço em familia, sentados à volta da mesa da sala. Sabem como aconteceu? Comi sim um belo pequeno almoço mas sozinha e na mesa cozinha. Saboreei o que tinha e ignorei as birras e os desentendimentos. Tive que escolher o que era mais importante para mim. Mas a vida não é assim, feita de escolhas?

O mês de Maio continuou para além do Dia da Mãe. Tive visitas nocturnas de amigas, para pôr a conversa em dia e matar saudades. É assim que faço, quando estou com as crianças e quero aproveitar as noites para estar com amigos - chamo-os lá a casa, ofereço chá, café bolinhos e dois dedos de conversa. Há tanto tempo que não fazia isto. Soube tão bem.

E neste reboliço da vida, perdi até, nos dois ultimos meses, o meu jantar mensal de mulheres. É incrivel como num instante vamos adiando o que é tão importante para nós, o que nos dá alento e nos faz bem à alma. Inventamos desculpas, as agendas tornam-se complexas e de repente vivemos numa rotina louca, tão diferente do que imaginámos. Mas este mês, recuperei esses encontros. Já está. Já foi. Logo no inicio para ter a certeza de que acontecia.

Hoje é 6ªfeira. E já sei muito bem o que quero para este fim de semana. Tempo para mim. Para descansar. Para dormir. Para recuperar. Para não fazer nada. Para fazer o que me apetecer. Ao meu ritmo. Sem horas. E que bem que me sabe olhar para mim, pensar no meu Eu, no que me dá energia e premite o meu equilibrio. Quando me desoriento, há um livro que me ajuda a pôr na estrada certa, que me dá ideias, que me faz pensar no que é importante para mim - O segredo das mães felizes. Pode ficar em jeito de sugestão ;-)



domingo, 25 de março de 2012

Um dia de férias = Um dia na "Kidzania a sério"

E pronto! São férias da Páscoa. As crianças estão a saborear o merecido descanso mas a minha vida real, de mãe - que - trabalha não se compadece com esse facto. A questão é a mesma de sempre: como conciliar os dois mundos?

Na minha to do list estão tarefas como:
  • ir aos CTT levantar uma carta registada
  • ir ao banco fazer um depósito e pedir um recibo
  • ir levantar o passaporte
  • ir entregar documentos de trabalho
A esta lista junto um visita ao supermercado para comprar mantimentos para a família.

Na minha companhia tenho três adoráveis crianças, ávidas de acção. O problema é como pô-las em acçao, pela cidade fora, de modo a que eu possa cumprir o meu "serviço externo"...

(foto de album da Inspire me)

De repente dei-me conta que só tinha uma forma de resolver a questão - "Amanhã vão poder ir, "sozinhos", fazer algumas tarefas do meu trabalho, como ir aos correios, ao banco. Deixo-vos à porta e vocês terão que fazer tudo sozinhos." Ao que ouvi como resposta, com sorrisos na cara: "uma kidzania mesmo a sério!"

Fiquei satisfeita. A primeira etapa estava superada - motivação para o programa! Agora vamos ver como corre.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O ritmo da vida: às vezes é preciso ir mais devagar...

As últimas semanas têm sido uma loucura - os últimos testes das 3 crianças, festa de aniversário (comemoração tardia) e também muito trabalho da Mãe! Nestas alturas, penso inumeras vezes que só preciso de sobreviver. Nas rotinas, diminuo (e muito!) 0 meu nível de exigência - a roupa para engomar é menor, aceito ajuda de quem quer dar e seleciono mesmo as prioridades. Mas mesmo assim, às vezes é muito dificil e parece uma missão quase impossível. E foi neste contexto que recebi duas imagens muito inspiradoras da Madalena. De repente, dei-me conta que os filhos também podem ser fonte inspiração e modelo para os pais. A forma como ela luta pelo que quer deixou-me a pensar. Fez-me ir atrás de sonhos. Pôs-me de novo na estrada, comecei a dar asas ao projecto do "Cantinho da escrita".


O "Cantinho da escrita" é uma ideia simples e ainda em construção. Surgiu da necessidade de apoiar a Matilde a melhorar a sua ortografia. A Madalena cedeu a sua secretária que se transformou num espaço de todos. Mudámos a sua localização. Usámos um quadro para escrever com letras de iman. Arranjámos um arquivo para jornais e revistas (que podem ser lidas e recortadas as letras)... Está longe de estar pronto. Vai tomando forma, aos poucos, ao ritmo da vida, da nossa vida. As crianças andam por lá. As letras vão entrando na vida, na nossa vida. Escrevem-se mensagens secretas. Tudo é possivel. Há fantoches para alimentar a imaginação da escrita. Tinha idealizado montá-lo e apresentá-lo pronto mas rapidamente compreendi que não fazia sentido. Estava cansada, esgotada. Precisava deles para o edificarmos em conjunto.

É bom percebermos que a vida é assim. Que o ritmo é assim. Que, às vezes, precisamos de abrandar, de ir mais devagar.

sexta-feira, 2 de março de 2012

As crianças, o homeschooling e eu

É muito comum, após algum tempo em casa ouvir as crianças (sobretudo a Matilde mas às vezes também a Madalena) dizerem - "Que bom que era se pudessemos ficar em casa e aprender aqui". Esta frase faz tocar algumas campainhas. Gosto da ideia do homechooling. Admiro quem o pratica. Sou fã da Soulemama. Mas... Não é para mim. Foi um passo importante, na minha maternidade, reconhecer que os meus limites me impediam de o praticar. Sei que sou uma Melhor Mãe, mais feliz, mais capaz e mais plena se apenas complementar o trabalho da escola. Sou criativa e por isso consigo ir pensando em coisas engraçadas para os motivar para as aprendizagens. No entanto, nos ultimos tempos tenho dedicado as minhas energias a pensar nas competências que quero promover nos miudos (naquelas com que mais niguém se preocupa).


Inspirada numa frase da Matilde ("Ó Mãe, eu não preciso de ir à escola. Eu podia ficar em casa e aprender outras coisas importantes. Tu podes ensinar-me a cozinhar, a fazer tricot muito bem, a costurar...") , decidi propor-lhes que:
  • Estendessem roupa
  • Passassem a ferro (numa tábua de adulto e com um ferro "verdadeiro")
  • Inventassem uma entrada com os ingrdientes que havia
Ficaram encantados. Acho que estavam maravilhados com a possibilidade de acederem ao mundo dos adultos, sobretudo com a hipotese de passar a ferro roupa de verdade e com o material que os crescidos usam. Foi uma oportunidade de lhes ensinar normas de segurança (o ferro estava no minino, a sorte foi que o que tinham para passar eram guardanapos com muito poucos vincos) mas também de lhes transmitir os ensinamentos da minha avó Ana acerca de "como passar bem a ferro".

A minha cabeça anda a borbulhar. Uma catadupa de ideias. Muitas vezes penso: se não aprenderem estas coisas na família e à medida que vão crescendo, quando o farão? Estou decidida a deixá-los fazer novas experiências neste âmbito!

PS: Sabiam que... Em Portugal, a legislação permite o homeschooling, isto é, o ensino doméstico ou domiciliar que é "aquele que é leccionado, no domícilio do aluno, por um familiar ou por ou por uma pessoa que com ele habite"?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alternativas para um dia de férias...

As férias escolares são sempre um desafio para os pais. Quando consigo tento conjugar uns dias de férias profissionais e escolares. Ontem foi o caso. Planear o que fazer com as crianças toma-me algum tempo mas vou conseguindo encontrar soluções engraçadas.

Pela 2ª vez organizei-me com um grupo de mães (também elas de férias e com os seus petizes para ocupar) e contatámos a Ilustrarte (Expsoição Internacional de Ilustração Infantil, patente no Museu da Electricidade). A proposta era visitar a exposição e depois os miudos realizarem o atelier - Uma história com muitas mãos.


Uns mais motivados do que outros. Uns com desejo de explorar os livros infantis e espaços maravilhosos que tinham à disposição. Uns mais atentos, outros mais participativas. Sempre sem stress, na companhia de uma monitora atenta e disponivel a visita decorreu de forma tranquila. Houve espaço para tudo e para todos.



Depois de espreitar algumas das gavetas, com ilustrações muito giras e variadas, onde puderam descobrir várias técnicas de expressão plástica, o repto foi lançado ao grupo. Ouvirem a história "Primeiro dia de aulas", do António Torrado, e depois re-ilustrá-la e construir o um novo livro.



A criatividade foi mais que muita. Os trabalhos ficaram lindos de morrer. O museu ganhou mais um livro ilustrado por muitas mãos, que após conclusão deu direito a assinatura por parte de todos os ilustradores.


O tempo estava maravilhoso, por isso ainda fizemos um piquenique na relva e aproveitámos para fazer alguns jogos ao ar livre.


No fim, as crianças não queriam partir. As Mães ficaram de organizar nova actividade para a próxima interrupção lectiva. O que mais gostei?
  • Termos utilizado um recurso da comunidade que estava ali, disponivel e gratuito.
  • Ter estado com outras Mães (que sempre deu para dois dedos de conversa).
  • Ver as crianças alegres e divertidas.
  • Poder funcionar como rede de suporte para mães que tiveram que trabalhar e que nos confiaram os seus petizes.
A repetir, sem dúvida!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

No rescaldo dos primeiros aniversários...


Depois do último post, dei-me conta que 75% da nossa família (lá de casa!) faz anos em menos de um mês. Portanto, até hoje já houve 2 aniversários e dentro de dias teremos mais um.

Celebrar o nascimento, numa família separada é uma aventura para todos (ou pelo menos lá por casa é). Os miudos ficam super-entusiasmados com o acontecimento e isso é bom. Mas o facto de estarem metade do dia numa casa e metade do dia noutra, deixa-os, na minha opinião, ainda mais excitados. E por isso, considero tão importante nessas alturas manter a calma (o melhor que conseguir), estar disponivel para eles. É tarefa deficil e exigente. Umas vezes sai bem, outras vezes sai mal.

Este ano, uma novidade do aniversário do Zé Maria, foi o bolo. A Madalena quis decorá-lo de acordo com o gosto e pedido do irmão. Assim, de um bolo mármore nasceu um campo de futebol. Todos ficaram orgulhosos com o resultado e exibiram-no com o orgulho na festa - um piquenique onde se jogou futebol, barra do lenço, policias e ladrões... Cansativo para os adultos mas uma alegria para as crianças. Adoro vê-los assim, fazer jogos ao ar livre, brincadeiras de todos os tempos.

Para a semana temos mais!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quando há aniversários para celebrar...

(foto de album da Inspire me)

Cá por casa, janeiro e fevereiro são meses repletos de aniversários. Estes momentos são excelentes oportunidades para conhecer a história passada, recordar bons momentos, aprender a pensar no outro, respeitar a vontade do aniversariante... É uma altura cheia de desafios (para todos!)

Há alguns pontos que são "regra assente" por aqui:
  • Quem faz anos tem o privilégio de escolher como quer que seja o seu dia (o que quer comer, fazer, com quem estar...)
  • Quem faz anos pode propôr como gostaria de celebrar o seu nascimento (com quem, onde, o que fazer...)
  • Quem faz anos tem direito a ser ultra-hiper-mimado pelo os outros, começando logo ao acordar por receber um afinado coro (meio ensonado) de presentes na mão.
  • Quem faz anos tem direito a uma oração especial
Nem sempre é fácil saber o que se quer. É um exercício que faço com eles, pois acredito que quanto melhor souberem formular os seus desejos, mais facilmente os alcançarão. E tem que ser mesmo o que o seu coração disser e não o que os outros querem ouvir...

Desde que vivemos em Inglaterra e os miudos experimentaram celebrar o aniversário num jardim (com jogos organizados por mim), que é recorrente o seu pedido para que assim seja ano após ano. Ora, sendo eu, agora, uma mãe sozinha, isto tem-me levantado alguns questões práticas (de organização). Tivemos que aprender (os 4) que para tornar este sonho possível, temos que pedir ajuda. Esta é mais uma forma de descobrir o valor da Amizade e da Entre-ajuda. Por isso, graças aos amigos adultos, mesmo com frio, aí iremos nós, para a rua, celebrar!!!!

Esta é uma altura de muitos afazeres pois confecionamos a maior parte do lanche que partilhamos com os amigos (incluindo bolo de aniversário) e fazemos prendas para oferecer ao aniversariante. Mas são momentos bons. De partilha. De alegria. Em que descobrimos a importância de Celebrar a Vida!

(foto de album da Inspire me)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O meu tempo e o tempo deles

Ser Mãe (ou Pai!) sozinha, de acordo com aquilo que sonhámos e projectámos, é uma arte. Eu tive que descobrir como poderia realizar o meu sonho. Primiero foi preciso perceber o que era importante para mim. Eles são 3. Todos bem diferentes e com necessidades muito distintas. E algo que ficou claro, rapidamente, foi que quero estabelecer com cada um (em separado!) uma relação única.

Um dia, dei comigo às voltas a pensar como poderia concretizar isto. A ideia de ter um tempinho só para cada um deles, agradava-me. Sem outro adulto lá em casa, a tarefa tornava-se mais complexa. Não há a quem dizer: "Fica com estes dois que eu vou ali fazer uma coisa com o outro". Despejar as crianças, todas as semanas, à vez, para que pudesse ter um tempo especial, de cumplicidade com cada um, também não estava nos meus planos.

(imagem da Casa das Letras)

Foi assim que nasceu, lá por casa, o conceito de "O meu tempo". Funciona de um modo muito simples. À 2ª f, quando chegam, estabeleço quando será o tempo de cada um. Habitualmente são 15 minutos, mesmo antes de apagar a luz. Já percebi que funciona melhor ser nos primeiros 3 dias da semana (de 2ª a 4ª). No meu quarto, de porta fechada (dá ideia de algo secreto, privado), o feliz contemplado escolhe como quer ocupar esse momento - ler uma história, conversar, coçar-lhe as costa... Os outros vão para a cama ler ou fazer algo tranquilo.

Ultimente, para além do "Tempo da Madalena", do "Tempo do Zé Maria" e do "Tempo da Matilde", estabeleci o "Tempo da Mãe". Muitas vezes acontece à 5ªf. Eles ajudam-me com as tarefas domesticas para que eu me possa despachar e ter um tempo de verdadeiro lazer, a fazer o que aprecio e me apeteça. Talvez porque já há muito tempo que experimentam o prazer deste momento, compreendem como é importante para mim também ter "o meu". Acho que é por isso que são tão disponiveis a ajudar-me a arrumarem tudo antes de irem dormir.

Lá por casa ouve-se, um dia por semana: "Hoje é o tempo de quem?" / "Hoje é o tempo da Mãe!"

P.S.: Claro que aproveitamos muito bem o que a vida nos dá e sempre que, por razões que nos ultrapassam, eu fico só com algum deles, transformamos o momento "num tempo extra super-especial"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A dificil arte de educar "fora da box"


Esta é uma questão com que me tenho debatido ultimamente - a arte de educar os meus filhos "fora da box". Numa socidade em que se grita o direito à diferença mas em que se olha de lado para a criança que decide vestir um disfarce para ir jantar fora (sem que seja época de carnaval). Em que se anuncia que o importante é ter trabalhadores criativos e flexiveis mas em que a escola previlegia quem faz tudo igual, responde da mesma forma (tendo em vista o resultado mais do que o processo). Num mundo em que a maioria das pessoas à minha volta dita regras só porque sim, sem pensar na razão que está por trás... Decidi, de uma forma muito consciente, educar os meus filhos "fora da box". Tenho como valores importantes a transmitir (e a fazê-los viver) a criatividade e a felxibilidade. Acredito que se experimentarem, de vez em quando, fazer coisas diferentes e ao contrário, terão mais probabilidades de dar a volta às adversidades da vida e de serem imensamente felizes.


Foi assim, com este espírito que nasceram ideias como...
  • a refeição ao contrário, em que começamos pela sobremesa e terminamos na sopa
  • folgar à 4ªf em vez de ao sábado (porque a Mãe trabalha ao sábado, decidimos que o fim de semana, ie, o descanso, pode ser quando nós quisermos)
  • ser outras pessoas, ie, brincar MUITO ao faz de conta
  • jantar farturas e churros com chocolate (nem que seja só uma vez)
  • questionar a forma única de fazer TPC's (Tem que ser pela ordem que a professora diz? As palavras dificeis para o ditado têm que ser estudas, re-escrevendo-as 5 vezes ou posso inventar uma história com elas? O gosto pela leitura e pela escrita só se desenvolve escrevendo ou também podemos inventar histórias, à noite, antes de ir dormir, com fantoches?)
  • "pensar fora da box" - quando ao jantar apresentam soluções únicas para os problemas, a Mãe pergunta: "E se pensasses fora da box? Uma maneira completamente diferente de fazer isso?"

Acredito que desta forma posso estar a contribuir para o desenvolvimento de pessoas verdadeiramente flexiveis, criativas e auto-confiantes. Imagino a Matilde a pôr umas meias com uns saltos altos só porque sim, porque gosta (independentemente de ser moda ou não). Imagino a Madalena a qusetionar quem lhe apresente uma verdade absoluta. Imagino o Zé Maria a encontrar várias formas de ajudar um amigo que se magoou. Imagino... Desejo... Sonho... Sou... Fora da box!

P.S. 1: Todas as fotos são de albuns Inspire me
P.S. 2: Decidi usar a terminologia "fora da box" lá por casa pois gostam do programa e apreenderam facilmente o conceito

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Numa tentativa de sobrevivência...

(foto de um album do Inspire me)

Numa tentativa de sobrevivência vi-me forçada a re - organizar a minha (e nossa!) vida doméstica. Depois de uma semana em que tudo correu muito bem mas em que, no domingo à noite me sentia estoirada e a precisar de um verdadeiro fim de semana, repleto de descanso... Resolvi pôr mãos à reflexão e definir o que queria mudar.

  • Durante a semana, as crianças tinham descansado depois das suas obrigações escolares mas eu não!
  • No fim de semana fizemos TUDO (e era bem ambicioso este tudo) e eu dei atenção a todos (menos a mim!)
  • O trabalho tem-se multiplicado (graças a Deus) e eu sou só uma
  • Os trabalhos escolares em casa também parecem cogumelos, os testes estão à porta e por mais autónomos que sejam, sei comigo a fazer dois ditados em simultâneo (um do 2º ano e outro do 3º)
Posto isto, pus-me a reflectir no que poderia fazer diferente. O que queria incrementar ainda mais cá por casa. E o resultado foi simples: mais AUTONOMIA das crianças e mais DESCANSO meu (e porque não delas também?!)


Os legos sairam da caixa. As obras de arte nasceram das mãos dos mais novos, enquanto eu ficava disponivel para qualquer coisa. Os livros estão por todo lado, sempre apelativos e irresistiveis para alguns. Os lanches da escola passaram a ser da responsabilidade de cada um (e isso significou menos uma tarefa ao serão e uns minutos a mais no sofá!).


O espírito é cada vez mais de equipa porque a Mãe também se cansa, também tem limites, precisa de descansar e de se cuidar!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Do it yourself!

Há uns tempos que venho reflectindo sobre uma característica minha - tenho tendência para guardar o que já não serve. Acho que poderá sempre re-utilizar-se, fazer uma nova peça. Isto acontece com tecidos, roupas que ficam inutilizadas, papeis de embrulho, fitas e muito mais. Tenho que ser um bocado selectiva, caso contrário a logistica tornar-se-ia uma missão impossível.

O que me dei conta é que eu não gosto de criar peças do nada. Gosto das re-inventar. Seja dando outro uso, seja usando para outro fim ou seja re-criando a partir de algo que se viu ou se imaginou. Estava eu a ler um artigo da Elle do mês de fevereiro quando descobri que esta minha característica, afinal, até é muito trendy. Nesse artigo cruzei-me com dois blogs - honestly wtf e P.S. - I made this - que me deixaram a pensar. O que eu gosto mesmo nesta actividade criadora é o facto de poder gerar peças novas, únicas, só minhas. Dentro do que a moda dita (mas sem ficar presa a ela) mas exclusivos meus! Em suma, ser original!

E o mais curioso é que isto é tão "meu" que naturalmente o tenho passado aos miudos. De tal forma que eles acham que eu sou capaz de fazer tudo (o desafio mais audaz que me lançaram foi a confecção de gomas - um dia destes, venço o medo e passo a acção!).

Recentemente, a Matilde imaginou um xaile que me pediu para fazer. Descreveu-o com muito promenor. Eu, no entanto, para não correr riscos (e lembrando experiências passadas em que não correspondi às expectivas), pedi-lhe que mo desenhasse. À medida que ia saindo da minhas mãos, o projecto inicial ia sofrendo adptações. Foi muito giro. Aproveitei a ocasião para lhes ensinar a fazer pompons (de uma e de várias cores). A lã, claro que veio da Ovelha Negra (e os conselhos da Joana acerca de como acabar com sucesso este projecto foram preciosos).

A "obra de arte" ficou pronta e, desde então, o xaile faz parte de todas as toilettes.

Re-criar, sendo original e única - esta é mais uma dimensão que me dá prazer... Olhando em retrospectiva para os post's começo a constatar o que sempre intui desde cedo - tenho muitos interesses! O que é bom e é mau. Se facilita ter muitos recursos, dificulta a escolha e capacidade de concentração em cada projecto que se inicia.

Mas não haverá por aí mais mães como eu - reais e imperfeitas?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Aceitar e amar os filhos que temos

Quando fui buscar as notas das crianças descobri, por acaso, que a partir do 5º ano existe um Quadro de Honra e um Quadro de Valor. Fiquei irritada. Defendo o prazer de aprender e de nos superarmos a nós próprios e não a comparação entre pares. Ensino aos meus filhos que o mais importa é descobrir o que cada um quer melhorar em si, independemente do desempenho dos outros.

Pensei para com os meus botões: "Deus queira que ela não descubra estes malditos quadros". Sabia, no meu intimo, que se com eles se cruzasse rapidamente se iriam transformar numa meta a alcançar.

Um dia desta semana, ao chegar alegremente à escola presenciei um concurso de salto à corda. Delicioso. Uma corda gigante, mais de 10 crianças em fila e dois vigilantes nos extremos a fazer a corda rodar. Uma das vezes, a Matilde foi a vencedora. O irmão exclamou espantado: "venceu a uma do 4º ano!" Mas o que me encheu mesmo as medidas foi a sua capacidade de celebrar e valorizar o seu feito.


No carro informou-me: "Já sei. Quando chegar a casa vou fazer uma medalha para mim, de 1º lugar" O reconhecimento dos outros deixava de assumir a maior importância. O foco era posto em si e no que a deixava feliz. Fez-me tanto sentido. Mas estas duas histórias deixaram-me a pensar. Independentemente de eu me identifcar mais com uma do que com outra, o que descobri foi que quero apoiar cada uma a ser feliz na escola, à sua maneira. Se é a lutar pelo lugar no quadro de honra ou a ser a melhor a saltar à corda, pouco importa! Quero que sintam prazer e sejam felizes na forma como decidem viver as SUAS vidas. Amo-as assim. Às duas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O prazer de fazer o que gosto

Acabei o ano de 2011 a cozinhar e iniciei o de 2012 a degustar o que preparara. O desafio foi de uns amigos. Por acaso ou não, relembrei como gosto de cozinhar, de misturar ingredientes, de inventar. Cozinhar dá-me prazer. Gosto de preparar coisas entre o tradicional, o novo, o prático... Algo que funcione numa família de 1 adulto e 4 crianças.

E foi com este mote culinário que retomámos as semanas de aulas. Apeteceu-me cozinhar scones para a Matilde. Fazer-lhes uma surpresa e ter um saco cheio de panquecas congeladas (que preparei para um dos lanches de meio de dia). Um dia à noite, pus um bolo no forno, a casa ficou quente e perfumada e no dia seguinte houve bolo mármore para o pequeno almoço e para o lanche.

(foto retirada de um album do Inspire me)

Com este frenesim de criação culinária descobri uma receita de empadas de peixe que vou testar ainda esta semana. Encontrar formas criativas de servir peixe é um desafio e tanto!

Basicamente acho que estou numa fase de ter prazer na preparação de coisas deliciosas para mim e para aqueles de quem gosto. Resultado: o "tenho que fazer lancheiras", "tenho que preparar jantares", "já não há imaginação para mais" deu lugar à criatividade e ao prazer. De repente quase me apeteceu reler o Como água para chocolate, da Laura Esquível.

A questão é descobrir o que dá prazer e fazê-lo. Algo que tantas vezes nos esquecemos. Pouco importa se é a culinária, o cinema, uma saída com amigos ou outra coisa qualquer.

Ideias e sugestões de blogs e sites de receitas são bem vindos!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Hoje é dia de Reis, o Natal acabou, a rotina recomeçou!

Hoje (dia 6 de janeiro) é Dia de Reis. O Natal chegou ao fim. Foi um tempo bom. O caminho que fizemos até ao dia 25 foi maravilhoso. Cheio de encantos. A nossa árvore - calendário do advento trouxe muitos desafios. Houve cartas para escrever, propósitos para cumprir (e o coração ficar mais cheio de amor e alegria), houve obras de arte criadas com plasticina, velas decoradas com materiais diversificados que depois foram colocadas no presépio...


A casa foi ficando cada vez mais cheia e acolhedora. Na noite de 24 foi maravilhoso ver o entusiasmo das crianças ao darem os presentes que tinham construído. O desejo de dar e de ver a reacção dos outros foi maior do que a ansiedade e a excitação de receber. E isso foi lindo. Confesso que como Mãe pensei: "Está lá. A mensagem que eu queria chegou lá - sentiram o grande prazer que é pensar no outro, construir-lhe algo que aprecie. O prazer de dar-se ao outro."

Depois da agitação natalícia foi o abrandar (e desacelerei tanto que nem no blog escrevi!) Foi uma semana assim: sem horas, sem compromissos, ao ritmo do que nos apetecia:
  • dormimos até tarde
  • vimos filmes
  • brincámos no estádio
  • caminhámos à beira mar
  • jogámos jogos de tabuleiro no chão da sala
  • almoçámos de pijama
  • fizemos puzzles
  • brincámos com as prendas que recebemos
  • estivemos com primos e amigos
  • cozinhámos
  • fizemos o balanço de 2011
  • formulámos os desejos para 2012
  • recebemos o novo ano com amigos
  • estivemos os 4 na cama da Mãe

(foto retirada do album da Inspire me)

Aproveitámos as férias muito bem. Recuperámos a energia para regressar à escola e ao trabalho cheios de entusiasmo. As rotinas voltaram. As lancheiras dos almoços e os horários mais rigidos também. Mas a memória está repleta de boas recordações que aquecem o coração neste inverno frio mas solarengo!