terça-feira, 16 de outubro de 2012

Hoje é um dia muito especial e... o fim de semana também foi!

Hoje é um dia muito espcial - a Matilde faz anos de baptismo! 8. Por isso, apesar de não estar comigo, fiz-lhe um bolo de chocolate e vou aparecer com ele, de surpresa, no recreio da hora do almoço. A sua professora alinha comigo e por isso, acedeu a que as crianças hoje tivessem um lanche especial. Há tanto tempo que a Matilde me pede para fazer um bolo para partilhar com os amigos. Hoje é o dia!



É incrivel como é fácil adiar projectos só porque nos enchemos de programas. Os fins de semana são uma doce tentação para que isso aconteça. Mas no último, resisti estoicamente (apesar das muitas solicitações). O resultado foi maravilhoso - a minha mesa da sala transformou-se num conjunto de cenas vivas, cujos personagens eram minusculos bonecos de lego. Montadas quase todo o fim de semana, não nos restou outra alternativa senão comermos no sofá e na mesa da cozinha... A sensação de domingo à noite? Coração cheio!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Sugestão para o fim de semana...


Depois de uma semana dificil, a Mãe sai para ir às compras e afogar as suas mágoas. Mas esta Mãe gosta de fazer um "basta" às tristezas, adequirindo objectos que lhe tragam de volta o sonho, a esperança e sobretudo a liberdade.

"Ruy é um rapaz que vive numa casa que não lhe parece ser sua. Há muitas regras, muitas rotinas, tantas que nem mesmo o jardim que rodeia a casa consegue ser suficientemente grande para que se sinta livre.
Contudo, num daqueles dias de primavera que caem lentamente ao som do baloiçar das folhas, Ruy é surpreendido pelo rataplã de um tambor que o desafia a saltar o muro do jardim e a percorrer os campos até se abeirar de um acampamento de ciganos. Com eles acaba por ficar e, inspirado pelo espírito indomado de Gela, uma rapariga cigana de olhos cor de avelã, vai descobrir o prazer de sentir o chão debaixo dos pés, enfim, vai experimentar a liberdade pela qual sempre suspirou."
 (Os ciganos, um inédito da maravilhosa Sophia, terminado pelo seu neto)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Serei uma má Mãe? (tomo II)

Porque será que esta pergunta teima em perseguir-me? Às vezes parece ser a minha sombra. Em dias menos bons, em que o mundo parece invadir a minha casa para me roubar o meu Sonho de família, apetece-me gritar bem alto...

- basta à escola!
- basta à madrasta dos meus filhos!
- basta aos rankings!

Dizem acerca de mim, que habitualmente procuro o equilibrio. Entender o ponto de vista de todos. Procurar a solução que funciona para todas as partes. Sendo uma optimista por natureza, vou atrás de  outros pontos de vista que me permitam compreender melhor...

- aceito que a escola entre pela minha casa dentro mas só até ao limite do que considero aceitável (não deixo que os TPC's roubem horas ao sono!)

- aceito que a madrasta entre pela minha casa dentro (materializada em equipamentos de ginastica e em produtos de beleza) porque sei ser humilde, aceitar quando preciso de ajuda e porque sei que criar confusões na cabeça das crianças não lhes trará felicidade;

- aceito os rankings que a sociedade teima em estabelecer para tudo na vida, mas mostro às crianças que cada ser é único e especial, que há lugar para todos e que deveríamos pagar melhor as pessoas que recolhem o lixo à noite porque sem elas a cidade seria suja e doente...

Vou acolhendo, dentro da medida do que consigo, aqueles que comigo se cruzam (mesmo que às vezes me apeteça gritar com eles)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Gratuitidade = dar sem esperar nada em troca, amar

Um novo espírito para este ano lectivo - participar na vida da família e nas lides domésticas consoante a necessidade. Sem olhar se eu já fiz mais do que o outro. Descobrir o sentido de partilhar a realização das tarefas que não se gosta - se vejo alguém a pôr a mesa, eu posso decidir ajudar. Só porque sim. Só porque é bom ajudar o outro. Só porque nos despachamos para fazer outras coisas que apreciamos mais. Só porque a casa é de todos. Só porque somos uma família que partilha a vida, que vive unida.

Gratuitidade - qualidade daquilo que é gratuito; feito de graça; desinteressado (diz o dicionário, eu acrescentaria, "dar sem esperar nada em troca" e isso é amor!)

Hoje é um dia importante. A Madalena começa a catequese numa paróquia nova. Quis o destino que a catequista dela fosse uma das meninas do último grupo a quem dei catequese (mesmo antes da M. nascer). Experimento esta sensação de gratuitidade - dei sem experar nada em troca. Recebi de volta uma catequista para a minha filha!


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Chegou o outono... e o verão vai partindo!

Ontem foi uma 2ªfeira boa. Apenas tive que dizer por duas vezes que a televisão era para manter desligada. Resultado: fartaram-se de ler, brincar e fazer trabalhos de expressão plástica.

Com a chegada do outono, retirei as conchas e as pedras que tínhamos apanhado na praia e que habitavam a nossa casa de banho. Foram substituídas pelas pinhas. Os miudos ficaram com material para fazer o que lhes apetecesse. A mim bastou-me pôr numa caixa devidamente etiquetada - "conchas e pedras do mar" - bem à frente dos seus olhos. Experimentaram pintar conchas, fazer postais para os amigos, escrever mensagens nas pedras... 

A maior descoberta que fiz nos últimos tempos, a propósito das actividades das crianças, foi aceitar que adoro preparar os espaços para lhes alimentar a imaginação. Definitivamente, não aprecio realizar as tarefas e as brincadeiras  com eles (ou melhor, só de vez em quando para dar o input ou numa prespectiva de "miminho"). Mas encanto-me com as suas brincadeiras e com as produções que fazem.

O atelier ficou montado para hoje continuarem as obras de arte.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Love this day

Passou uma semana sem que eu desse conta. O fim de semana passado foi maravilhoso. Não começou mas terminou com farturas!

Apesar de ter sido uma semana sem crianças elas estiveram bem presentes. Houve reuniões de inicio de ano. Muitas recomendações dos professores. A palavra de ordem é sempre a mesma: TRABALHO! Dentro da sala. Em casa. À semana e ao fim de semana. Pensei perguntar: "São crianças. Quando terão tempo para brincar?" Acho que não quero render-me a esta obsessão pelo trabalho e pelos resultados. Vou criar espaços, tempos e momentos para SER e para ESTAR. Sei se que tenho um desafio enorme pela frente. Mas quero ensinar-lhes a importância de viver cada dia!


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Porque não me conformo com a chegada da rotina...

É 6ª feira. A meteorologia promete temperaturas altas para o fim de semana. Este será provavelmente o último sem trabalhos de casa nos próximos 9 meses. O carrinho das farturas já está ao pé do coreto. Trabalho afincadamente para depois ir viver dois dias de férias. Aproveitar tudo o que a comunidade nos oferece - ler livros da biblioteca, andar de bicicleta, a praia... Está prometido às crianças - vou buscá-las cedo à escola, comemos uma fartura e a aventura estará iniciada. Aí vamos nós, saborear a vida, nada conformados com a rotina! (O único compromisso que temos é 2ªf estar na escola às 8h20. para mais uma semana)


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Serei uma má Mãe?

Serei uma má Mãe? Hoje, enquanto fazia a minha corrida matinal esta pergunta assaltou-me o pensamento.
  • Os pombos que nasceram este verão na nossa varanda, cresceram. A vida deles por lá tornou-se impossível - o lixo era mais que muito, a minha roupa lavada na corda ficava suja... Ontem, tirei-lhes todos os poleiros e lavei a varanda muito bem lavada. Pressionei-os para voarem e experimentarem a liberdade. À noite dois comentários: "Mãe, tu és má - tiraste a casa aos pombos" e "Mãe, eu sei que eles sujam a varanda mas fico triste de pensar que eles não têm casa para dormir."
  • A minha sala, ontem, era uma verdadeira confusão - acho que não havia pedaço de soalho disponivel. Todos os livros e dossiers (dos 3) estavam espalhados no chão. Cada um organizava a sua mochila, os dossiers novos, o que era para levar e para ficar. Sozinhos. Tudo sozinhos. Imaginei que talvez muitas pessoas, se pudessem espreitar para dentro da nossa casa diriam que eu era uma Mãe muito má, que não os ajudava (imagino até uma voz a assobiar "o papel das mães é organizar a mochila dos filhos para que eles possam ir para a escola e não lhes falte nada")

Pois bem, hoje conversaremos sobre como foi importante "empurrar" os pombos para que fizessem voos para mais longe (passaram para o topo de um prédio vizinho). Lembrei-me da História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar, do Luis Sepúlveda, da parte em que dizia assim: "Ditosa estava ali prestes a tentar o seu primeiro voo, (...) fizeram com que os gatos compreendessem que a gaivota desejava voar, embora ocultasse muito bem o seu desejo. (...) Zorbas permaneceu ali a comtemplá-la, até que não soube se foram as gotas da chuva ou as lágrimas que lhe embaciaram os olhos." Achei sempre que os pombos não fizeram o seu primeiro voo sem que as crianças chegassem para que elas podessem assistir. E ontem, era vê-los assim, como o Zorbas, num misto de alegria e de tristeza.


Quanto à minha sala, à desarrumação e a mim - senti-me mesmo bem, sem qualquer rasto de culpa e sem qualquer receio de que alguém aprecesse e me espiasse. Estava tudo como eu gosto - eu, na cozinha a fazer umas deliciosas bolachas de Sésamo para os lanches da escola (que foram finalizadas pela Matilde e pelo Zé Maria). Os miudos a organizarem o seu material, cada um à sua maneira, pedindo ajuda sempre que precisavam (e eu respondendo com apoio e disponibildade). Para mim é tão importante permitir-lhes esta autonomia, respeitar a sua organização, confiar-lhes a responsabilidade de que sabem realmente organizar o seu próprio material.

Que boa que é a vida aqui nesta nossa casa!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Brincar como se não houvesse amanhã...

E pronto! Os novos espaços e materiais começaram a ser usados. Assim, sem mais nem menos, só porque lhes apeteceu. Modelaram bonecos lindos  de morrer. A sala transformou-se numa imenso oceano onde navegavam barcos (acabando um deles por ancorar numa dobradiça da porta do quarto). Experimentaram os fantoches mas sem grande sucesso. Cortaram-se rolhas para reproduzir trabalhos realizados nas actividades do Palácio de Cristal do final de agosto.

Amanhã começa a escola. Lá perguntei o que esperavam deste ano lectivo. Relembrei coisas boas de ir à escola. Falámos do que gostamos e do que não gostamos. Prometi que amanhã poderiam brincar toda a tarde e continuar os jogos de faz de conta que ficaram montados (espero não ser solicitada durante a noite pois corro sérios riscos de afundar um barco ou destruir um belo jantar de familia a decorrer na casinha das bonecas).

Amanhã começa um novo ano! E eu continuo a espreitar religiosamente o site da playfullearning ;-)

(esta foto também é de lá - playfullearning)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A casa como espaço de aprendizagem e de desenvolvimento

Em setembro, faço sempre umas arrumações. Retiro os desenhos que restam do ano lectivo anterior. Repenso o espaço de modo a dar resposta às necessidades das crianças que cresceram. Foi assim que nasceu:

  • um cesto cheio de fantoches, junto da janela da sala, apelidado de "fantoches e imagens para inventar histórias"
  • uma caixa cheia de material para fazer pinturas (com tintas, aguarelas, pinceis e por aí fora)
  • uma caixa cheia de materiais para fazer recortes, colagens, desenhos e tudo o que a imaginação ditar
  • um cesto cheio de moldes, rolos e plasticinas
Tudo organizado de um modo muito prático e funcional para que as crianças se sintam convidadas a usá-los. Tudo pronto para que sejam livres e autónomas.

É por isso que esta semana sigo religiosamente as publicações de um site que me enchem as medidas - o playfullearning.

(foto retirada do site playfullearning)

Esta semana, ainda a meio gás, é altura ideal para testar a nova organização dos espaços e materiais.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um setembro com sabor ainda a verão

Ao fim de 2 meses em que andei por aí (umas vezes com crianças, outras vezes sozinha), volto a assentar arraiais em casa. É setembro, por todo lado se respira o regresso à escola. Fala-se da famosa rentrée mas o calor teima em ficar.  Gosto disto. Estas temperaturas fazem parte das minhas memórias de infância. Calor. Mas,  um dia destes chegarão as primeiras chuvas e com elas o delicioso cheiro a terra molhada. De certa forma é estranho, olhar para revistas e catálogos e ver os tons outonais. Continua a apetecer-me comer fruta, saborear sumos frescos... comida de verão!


Tenho dificuldade em imaginar-me de volta às lancheiras, à rotina cheia de horários rigidos para cumprir. Quero prolongar esta estação maravilhosa. Talvez consiga. Estou determinada a transformar os meus fins de semana em férias. É uma forma de não ficar demasiado cansada. De não viver ansiosa pelas férias. De aproveitar mais o presente.  Na verdade, não sofro do síndrome do regresso ao trabalho. Adoro o que faço. A minha paixão pela Family Coaching é forte. E esta é uma altura boa. As pessoas regressam determinadas a fazer mudanças, sinónimo de muito trabalho criativo para mim!


Eu também regresso pronta para fazer mudanças... Vou pensando como re-arrumar o espaço cá de casa, nas novas ementas, nos snacks que quero experimentar mas... Sei que, sobretudo, quero viver com a cabeça mais no presente, menos pressionada por horários e outras pressões exteriores. Sei que quero ser cada vez mais livre e feliz!

(fotos de albuns da Inspire me)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Parabéns, Hora da Mãe

Ontem, a Hora da Mãe completou o seu primeiro aniversário. Foi no dia 26 de agosto que tornei público este "segredo" tão bem guardado. Por essa altura, escrevia assim na Hora da Mãe: "Procuro retirar o máximo prazer daquilo que tenho mesmo que fazer como Mãe. É assim que surge este blog - para partilhar e conhecer outras Mães (e Pais!) que queiram trocar ideias acerca de como se podem transformar os momentos do dia a dia em instantes especiais."

Às vezes ando para trás e para a frente. Às vezes sinto-me perdida sem saber que rumo dar a este projecto mas algo me faz continuar, seguir em frente. Ler as palavras da Costureira de Palavras dá-me alento. Faz-me ir atrás de todos os sonhos que tenho para a Hora da Mãe. Estou de volta para mais um ano cheio de aventuras, desafios e coisas boas certamente. Obrigada Costureira!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Reflexão (ainda) para o verão: Ser Simples

O texto foi-me oferecido pela minha filha mais velha. "Porque sim, porque é o teu género. É para ti" De vez em quando cruza-se comigo - aparece no meio de um livro, na mesa de cabeceira... Vou levá-lo comigo. Os próximos dias serão de férias da Hora da Mãe. Prometo voltar para celebrar o primeiro aniversário. 26 de Agosto.

"Ser Simples
Ser simples é dificil. A atenção universal é para complicar as coisas. Ao longo dos séculos têm-se verificado uma complicação de tudo o que era simples, perdendo-se assim a noção de simplicidade.

Falo da maneira como as pessoas comunicam, por exemplo. Como dizem umas às outras tudo o que sentem e pensam. Ou melhor como dizem uma coisa, e tantas vezes sentem outra, e como tudo isto se pode tornar tão enganador e até perverso!

Ser simples é muito mais do que ser complicado. É ser verdadeiro, é prestar atenção, é ouvir com o coração, é falar sem querer ter sempre razão. Só uma pessoa simples é capaz de estar na vida para as outras pessoas e pelas outras , e consegue fazê-lo sem se perder no essencial.

Conheço muito poucas pessoas simples e verdadeiras. Simples na maneira de ser, de estar, de viver e de falar. Simples e verdadeira, a única verdade que interessa, que é a do coração.

Quando ouvimos falar de liberdade interior, de alegria, de esperança, de confiança e de ter tempo para ter tempo, estamos a aprender a amar. Só se vê bem com o coração. Aprende-se mais com os olhos do que com os ouvidos, MAS NUNCA TANTO COMO COM O CORAÇÃO.

Ser simples não é vestirmo-nos com farrafos, andarmos desmazelados, é ser simples na maneira de ser. É SERMOS SIMPLESMENTE NÓS MESMOS." (adaptado da carta da Laurinda Alves ao Pe Nuno T.L.)



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Sugestões de leitura (ainda para o verão)


Definitivamente entrei na onda de leitura no feminino. Para mim, tenho andado às voltas com a biografia de D. Maria II: tudo por um reino, de Isabel Stilwell (impulsionada pela minha curiosidade e pelo gosto do Madalena por tudo quanto é história de Portugal). Pelo meio, devorei, enquanto o diabo esfrega um olho, O Primeiro Amor de Sophie McKenzir. Passado em Inglaterra, a fazer apelo às minhas memórias, é uma história de adolescentes, de descoberta do amor, de respeito pelos limites, de confronto com várias realidades sociais... Gostei muito. Li-o para descobrir se fazia sentido oferecê-lo à Madalena. Faz. Um livro giro para as mães de filhas que gostam de ler.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os jogos olimpicos lá por casa

Os jogos olimpicos estão quase a chegar ao fim mas foram vividos com muito entusiasmo. Antes de terem inicio, contei-lhes como os seguia atentamente quando tinha as suas idades. As emissões televisivas seriam uma oportunidade de conhecerem imensas modalidades, de descobrirem a perdilecta do seu coração. A motivação foi tanta ou tão pouca que deu nisto: de repente, tinha um pódio, medalhadas e vencedores de diversas modalidades.





Adoro quando brincam ao faz de conta!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A propósito do verão...



Quando termino as férias com as crianças e elas partem, fico com tempo para pensar. Tranquilamente. Gosto de aproveitar essa quietude para revisitar os dias de verão que passámos juntos. Escrevo. Tomo notas do que resultou, do que não quero repetir e do que gostaria de fazer diferente no ano seguinte. É útil. Muito útil. Permite reflectir. E muitos meses depois, quando volto a planear os desejados e merecidos tempos de lazer, evito cometer os mesmo erros. Ou pelo menos tento. É agora, na paz e no silêncio que tomo as minhas notas nos inúmeros cadernos de apontamentos que tenho espalhados por todo lado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

As maravilhas do skype

A nossa experiência de vida em Inglaterra deu-nos, sem dúvida, muita bagagem para lidar com a distância. Apesar de todos sabermos que as saudades iam apertar, antes das crianças partirem, pusemos o tema em cima da mesa e listámos todas as hipóteses que tinhamos para as minimizar.

Giro, giro? Ver que cada um tinha uma preferida: pôr a minha foto no ecrã da psp, levar o saquinho dos beijinhos e dos abraços (um saco de pano cheio de pedacinhos de papel, cada um com palavras ou desenhos; ao tirar um papelinho, a criança recebe um beijinho ou um abraço meu!), falar por skype. Para além destas, da dita lista constaram também escrever postais, falar ao telefone... E lembro-me agora, no primeiro verão em que nos separámos, cada um escolheu uma estrela no ceu - a sua estrela. Quando falavamos ao telefone, mesmo a muitos quilometros de distância, acreditávamos que estavamos a olhar para a mesma estrela (eu e cada um deles!).


Ontem foi o dia do skype. E que bem que me soube. Tê-los tão pertinho. Partilhar novidades. Dar beijinhos virtuais. Tudo a que tínhamos direito. Cada vez mais acho que, se eles quiserem, um dia terão mesmo construído uma boa mochila para poderem ir por esse mundo fora!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Agora partilho o meu ninho

Não sou só eu que sinto este espaço (leia-se, a nossa casa) como um ninho.

Um ninho que preciso de cuidar.
Um ninho que preciso de proteger.
Um ninho que preciso de manter à temperatura certa.
Um ninho em que acolho as vidas que me foram confiadas.

Na nossa ausência, mais alguém achou que este é um bom sítio para gerar vidas, a Vida!
Por agora, partilho este ninho com outra mãe - uma Mãe - Pomba!


(fotos: Madalena)

terça-feira, 31 de julho de 2012

O coração e a alma abrem-se nas férias...

As férias proporcionam-nos, geralmente, relaxamento e tempo que não temos na correria do dia a dia. O coração e a alma abrem-se e soltam emoções e  sentimentos mais complexos. As refeições e as viagens de carro continuam a ser os momentos, por excelência, para as revelações e as partilhas acontecerem.

É com imensa alegria que vejo os meus filhos abrirem-me o seu coração, falarem de mim, do pai, do tempo em que fomos casados, da separação e até da madrasta. Relembro, sempre o livro fantástico do José Gameiro - Os meus, os teus e os nossos (pena que esteja esgotado na Wook!). Guardo-o desde os tempos da faculdade. É pequeno. A escrita é coloquial. Sem juízos de valor. Dá uma excelente prespectiva dos vários olhares sobre a separação. 

De facto, os livros são sempre os meus mais preciosos aliados. Relembro que na altura do meu divórcio (e até muito tempo depois) recorri várias vezes ao Quando a mãe e o pai se divorciam. Os livros são assim: apesar de lidos, voltam a sair da estante (as vezes que entendermos) para, de novo, serem acariciados com as nossas mãos. E isso é bom. Quando voltamos, trazemos uma outra perspectiva. Lemos a história com outros olhos. E no verão, nós lemos muito. Em qualquer terra que paremos, durante um número considerável de dias, visitamos a biblioteca local. É quase um ritual...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Filho de peixe sabe nadar...

Quando regressámos de férias, as crianças descobriram que havia umas meninas que faziam pulseiras como as que eles aprenderam a fazer no Verão Verde lá no Palácio de Cristal, e que as vendiam, numa banquinha improvisada, à porta dos prédios da nossa rua.

Quiseram repetir o feito. Tinham recebido uns fios da madrasta e rapidamente criaram uma fábrica de fazer porta-chaves em macramé e pulseiras em linha de bordar. O Zé Maria foi o mais novo aprendiz. Fizeram um preçário, descobriram as moedas que tinham juntado da venda do verão anterior e lá foram eles, para a entrada do prédio fazer concorrência às outras meninas. Era domingo e nada se passava. Não havia vivalma na rua. Eles continuavam determinados a ir vender, fosse onde fosse. Entraram em modo brainstorming para descobrirem possíveis locais de venda. Resolvi ajudá-los. Ao almoço propus-lhes irmos até à Feira Solidária nas Mercês. Falámos sobre o que é ser solidário, como funcionaria a feira e preparei-os para o facto de terem de apresentar uma proposta. Como iriam ser solidários? O que iriam contrapropor à Associação Ponte por os deixar montar uma banca para venderem as suas coisas? Falou-se de percentagens, de ganhos, de ajuda... Foi mesmo giro. Deixei-os explicarem uns aos outros, só intervindo quando necessário.

Lá fomos nós. Lá montaram a banca. Lá encontraram amigas que os ajudaram a vender. Digno de ser visto. Determinados a cumprir o seu objectivo de venda (ainda falámos sobre isto no carro), intrepelavam qualquer pessoa que passasse no recinto da feira. "Vamos fazer publicidade", gritava um. Em grupo, levando uma amostra de cada produto, iam ter com as pessoas, para depois as convidarem a visitar a banca. Havia um que ficava de guarda ao estaminé. Anotaram todas as vendas. No final, fizeram contas - 20% das vendas revereteram a favor da Associação. De regresso a casa pediram-me para ir comprar mais matéria prima. "Quanto querem gastar?" / "Depende os preços do fio.", afirmaram. Expliquei-lhes a importância de definir, antes de entrar na loja, quanto queriam gastar; dialogámos sobre o que pode acontecer quando defininos ou não definimos um valor. E lá fomos nós.


Acho que valeu pela experiência. Estavam radiantes. Aprenderam tantas coisas num só dia... E sim confesso que me revi neles... O meu lado empreendedor que lá muito atrás também fazia pulseiras, molduras, agendas e tantas coisas mais para vender e depois ir, livremente, de férias!