Esta é uma semana cheia de eventos escolares e de actividades extra-curriculares. Anseio pelo sábado à hora do almoço, altura em que o ritmo abrandará um pouco. Mas o que me deixou mesmo a pensar foram as prioridades da escola dos meus filhos para alterar o calendário inicial dos festivais de ginastica - o cartaz do Rock in Rio!
Cá por casa gostamos de partilhar os momentos importantes de cada um. Assim, se há vontade, mobilizamo-nos para presenciar os acontecimentos importantes da vida (seja da Mãe, seja de cada um dos filhos). Por isso, foi com tristeza que vi anteciparem as datas dos festivais de ginástica, isto porque o da Madalena seria na vespera dos testes intermédios da Matilde. Sabia que o evento implicaria mudança de rotinas - não faria mal, somos flexíveis! Mas sabia também que implicaria deitar tarde e se há coisa que defendo é que em véspera de testes, um sono tranquilo e reparadouro vale mais do que muitas horas de estudo! É um bom antídoto para faltas de concentração e excessos de ansiedade. Ora, posto isto vi-me com um dilema: o festival OU o descanso (e consequentemente o teste)? O que era mais importante? Tentei conciliar tudo à boa moda das Super - Mães. Às 21h30 cheguei ao limite. Consegui trazer a Matilde para casa, a choramingar (tal não era o cansaço!), para poder ter sonhos bons e inspiradores. Os outros vieram depois, mais tarde, com o pai, assim que terminou o desfile da natação do Zé Maria.
Hoje de manhã, ia decidida a expressar a minha opinião (de desagrado) junto do professor responsável pelo 1º ciclo. E qual não foi o meu espanto quando percebi que uma forte motivação da mudança de datas (a anterior não colidia com testes e era mais proxima do fim de semana) era o cartaz do Rock in Rio - que assim, provavelmente, os miudos mais velhos não estariam presentes no sarau da escola. Fiquei a pensar:
- Quais são as prioridades e que mensagens passa a escola aos miudos? Que podem ter tudo? Que o mundo se ajusta às suas vontades? Que não precisam de fazer escolhas (entre um evento da escola e um concerto)? Que o produto em grande (o festival) é mais importante? Porque defende aquela escola os desempenhos e os rankings, que a família a participe nos eventos e depois cria calendários incompatíveis com esses "valores"? Para nos fazer escolher ;-)? (ah!ah!ah!)
Muitas vezes me perguntam como é que eu faço o caminho que me permite ser livre. Assim. Aproveitando todos os acontecimentos e circunstâncias, para arrumar a casa e ficar de bem com a vida! Se é fácil? Nada disso! Mas a sensação de liberdade é muito boa!

Olá!
ResponderEliminarConheço o seu blogue há muito pouco tempo, mas tenho vindo espreitá-lo e gostei muito deste post que aqui colocou.
Senti afinidade com o que nele expressou e penso que somos parecidas em muitas coisas.
Tenho 2 filhos e, segundo parece, seguimos prioridades parecidas no que toca ao que é importante dar valor. (Também queria o 3.º, mas o marido não se deixa convencer!)
Além de mãe sou professora e de 1.ºCiclo, pelo que fiquei um pouco indignada com o que aqui conta. Também fiquei com dúvidas. Ou melhor, com mais dúvidas.
Quando era só professora e os meus filhos ainda não tinham chegado ao 1.ºciclo, achava que eu fazia parte de uma maioria de pais e professores, que me enquadrava no "normal". Hoje acho que não. Acho que sou exceção dos dois lados e isso deixa-me triste e com dúvidas. Continuo a querer o mesmo para os meus filhos e alunos, mas sinto-me diferente e uma minoria e é isso que me entristece. Não por ser "excluída" mas porque acho que estou mais certa e isso dá-me pouca esperança para o futuro do país.
Vou continuar a ser a mãe e a professora que sou, mas sinto que remo contra a maré... força nos braços para nós 2!
Um abraço
Olá, Marisa,
ResponderEliminarQue bom que foi começar a semana com esta sua partilha.
Que bom que tem dúvidas (eu também tenho muitas!) - acredito que são elas que nos permitem caminhar, que nos tornam mais seguras mesmo que mais diferentes e mais "sós". Costumo dizer que aos poucos vou descobrindo a minha tribo, aquelas pessoas que usam a mesma linguagem que eu, que me dão força, que me ajudam a alimentar o meu sonho. E sim, eu sonho com uma escola diferente. Este ano através do meu trabalho na Family Coaching conheci um conjunto de professores, educadores e técnicos fantásticos que se permitiram questionar, que partilharam os seus medos e que descobriram as suas forças. Terminam este ano lectivo mais seguros de si e mais disponiveis para lutar por aquilo em que acreditam. Vamos manter o contato e trocando dúvidas, descobertas, sonhos... sobre a escola e sobre a maternidade! Uma excelente semana para si. Um abraço.
P.S.: O post de hoje já estava na minha cabeça quando li a sua mensagem mas reforça o que diz... ;-)