sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Mãe, a Escola e os malfadados TPC

O ano lectivo começou e com ele vieram também os TPC (leia-se Trabalhos Para Casa). Naturalmente sou anti-trabalhos de casa. Esta posição é muito reflectida e fundamentada. Para chegar lá tive que descobrir como olho para a escola, qual o papel da escola e da família na educação dos meus filhos, como quero apoiar os meus filhos no cumprimento das regras da escola (obrigatoriedade dos TPC). Fui questionando todas as afirmações que a escola, amigos, familiares e especialistas me faziam acerca deste tema.

Os trabalhos de casa têm que ser sempre feitos na secretária? Descobri que não.

Há dias em que...

- o melhor sítio para fazer os TPC pode ser de barriga para baixo, no meio do chão (descobri junto de uma amiga Terapeuta Ocupacional que até é uma forma de fortalecer os musculos das costas, o que facilitará a posição de sentado, direito, na sala de aula).


- o melhor sítio para fazer os TPC é um jardim, em cima de uma manta, depois de um lanche saboreado na companhia da Mãe e dos irmãos. Descobri-o num dia de uma reunião de pais. Tinha 1h, entre a saída das aulas e o começo da reunião. Íamos chegar tarde a casa, só com tempo para banho, jantar e cama! As crianças estavam na escola desde muito cedo. Sair da escola por 1 h, mudar de ares, lanchar e fazer os TPC num jardim de Lisboa com uma vista linda sobre o Tejo... O que poderia ser mais inspirador?


- o ideal é estar sentado a uma mesa, ter à mão todo o material que necessitam e só se levantar depois de terminar.

- apetece mesmo saborear a companhia do irmão ou da irmã e fazer de conta que se está numa tenda ou numa casa secreta, sem mesas nem cadeiras


Percebi que tal como nos adultos o estado de espírito nas crianças não é sempre o mesmo e aquilo que funciona num dia e nos permite uma concentração máxima, pode não resultar no dia seguinte. Para mim, o mais importante é que os meus filhos se oiçam, conheçam várias formas de executar a tarefa e escolham a que melhor se adequa às suas necessidades de cada dia.

A escola tem que ser trazida para a vida familiar (da forma que ela - escola - quer)? E a vida familiar entra na escola para motivar as aprendizagens e dar sentido ao que se aprende? Não sei. Mas sei como quero deixar entrar a escola na vida da nossa família :-)

Não sou professora, por isso, quando os meus filhos têm dúvidas ou dão erros, incentivo-os a procurar a resposta certa, a ler a pergunta de novo... Se não conseguem, peço-lhes que levem a questão, no dia seguinte, para a sala de aula (os professores sabem, muito melhor que eu, explicar a matéria e, para mim, é importante que conheçam as dificuldades dos meus filhos). Às vezes resistem. Nessa altura, treinamos (fazemos de conta) o que dirão ao professor. "Então, Matilde porque não fizeste esta pergunta?" / "Porque não sabia" // "Porque não percebi". Tento perceber o que os faz ter medo, vergonha, receio... de expor a dúvida e conversamos sobre isso. Conto-lhes histórias minhas em que experimentei os mesmo sentimentos.

Este ano pensei como queria levar a vida familiar até à escola, individualmente, junto de cada um dos meus filhos e surgiram ideias muitos giras que prometo partilhar em breve. Tudo bem realista e tendo em conta que sou uma Mãe Sozinha que Trabalha :-)

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