A vida de uma Mãe quando um filho está doente torna-se muito mais dificil. Para além da preocupação com o seu estado de saúde, existem ainda outras questões práticas: Vou trabalhar ou fico com ele? Vou trabalhar o dia inteiro ou só uma parte? Poderei trabalhar a partir de casa e ficar com ele? Como lhe posso dar atenção e cumprir as minhas obrigações profissionais? Os desafios são mais que muitos.
O primeiro post da Hora da Mãe, desta semana, deveria ter sido publicado ontem mas de sábado para domingo, o Zé Maria ficou doente e isso alterou a nossa vida familiar.
Foi preciso fazer medicação, o que incompatibilizava a ida à escola. Ficou comigo e as aventuras foram mais que muitas. A primeira coisa que tive que aceitar foi que o meu ritmo de trabalho iria decrescer na 2ª e na 3ª feira pois ele estaria em casa e eu acumulava cansaço do fim de semana. Transformei-o no "assistente da Family Coaching" e anunciei-o alto e bom som. Isto significava que tinha que me acompanhar nos trabalhos externos e que me ajudar quando estivessemos em casa. Assim foi!
(foto tirada pelo Zé Maria)
Tive que ser bastante criativa para o ocupar. Na 2ª feira à tarde, estava imenso calor e lembrei-me o quanto eles gostam de brincar com água - um lençol turco no chão, um alguidar com água e foi dia de banho para os bonecos e de lavagem da sua roupa. Dedicámos algum tempo à culinária - fizemos panquecas para o lanche (feitas com o delicioso leite Vigor - que tanto me faz lembrar a minha infância). Como sobraram algumas, levou-as para as irmãs comerem ao pequeno almoço do dia seguinte.
Eu diria que 3ªfeira foi um dia mais cheio e mais completo. Tivemos que ir ao banco. Foi uma experiência gira e enriquecedora. O Zé Maria descobriu que existem máquinas que contam o dinheiro, aprendeu que podemos fazer depósitos nos balcões, nas máquinas ou com envelopes na modalidade "depósito express". Quando utilizou uma máquina, percebeu que é importante saber ler para podermos seguir as instruções. E eu, fui explicitando tudo isto (acho que isto é promover a literacia e descobrir para que servem as aprendizagens escolares!).
Ontem estava decidido a cozinhar de novo. Inventou uns folhados de espinafres salteados com passata de tomate. Foi uma diversão e tanto - fomos à mercearia local comprar 2 pés de espinafres frescos que depois foram amanhados por ele. Todas as etapas da receita foram executadas pelo Zé Maria, eu apenas supervisionei e dei apoio nas tarefas mais dificeis (por exemplo, ligar fogão). E porque o meu filho é um rapaz de muito alimento, considerou prudente fazer, para além dos folhados, uma massa com passata de tomate (feita com os tomates de Coruche dados pela Tia Ana). Um almoço vegetariano foi o que saboreámos.
(as duas últimas fotos foram tiradas pelo Zé Maria)
Durante a tarde houve mais uma oportunidade de trabalhar comigo - contei com a sua ajuda para "picar" os documentos da minha empresa. Foi giro - mais uma vez comentei com ele a importância de saber ler os números por extenso. Acho que esta foi mesmo uma tónica nestes dois dias - perceber para que servem as aprendizagens escolares. Recordo que enquanto cozinhávamos, falámos do que os cozinheiros têm que saber - de matemática, para saber calcular as quantidades; de língua portuguesa para poderem ler e escrever receitas; de ciências para escolherem os melhores alimentos... E ele rematou: "Eu posso ser cozinheiro porque sou excelente a matemática e sou bom a português!"
Conversámos imenso sobre profissões (não terei estado a apoiá-lo a fazer descobertas e reflexões em torno de escolhas vocacionais mesmo antes de chegar ao final do 9º ano de escolaridade?).
Hoje estou contente porque ele está melhor e voltou à escola cheio de novas aprendizagens (será que a professora vai reparar?) e eu posso concentrar-me a full time no meu trabalho. Fico, no entanto, a pensar: Será que não era importante uma vez por mês ou uma vez de dois em dois meses os meus filhos faltarem à escola e acompanharem-me durante um dia? Não seria essa uma oportunidade de descobrirem imensas coisas e dar sentido ao que aprendem na sala de aula? Ir a um banco, só se pode fazer de 2ª a 6ª :-) Não sei. A ideia fica no ar...





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