Quando fui buscar as notas das crianças descobri, por acaso, que a partir do 5º ano existe um Quadro de Honra e um Quadro de Valor. Fiquei irritada. Defendo o prazer de aprender e de nos superarmos a nós próprios e não a comparação entre pares. Ensino aos meus filhos que o mais importa é descobrir o que cada um quer melhorar em si, independemente do desempenho dos outros.
Pensei para com os meus botões: "Deus queira que ela não descubra estes malditos quadros". Sabia, no meu intimo, que se com eles se cruzasse rapidamente se iriam transformar numa meta a alcançar.
Um dia desta semana, ao chegar alegremente à escola presenciei um concurso de salto à corda. Delicioso. Uma corda gigante, mais de 10 crianças em fila e dois vigilantes nos extremos a fazer a corda rodar. Uma das vezes, a Matilde foi a vencedora. O irmão exclamou espantado: "venceu a uma do 4º ano!" Mas o que me encheu mesmo as medidas foi a sua capacidade de celebrar e valorizar o seu feito.
No carro informou-me: "Já sei. Quando chegar a casa vou fazer uma medalha para mim, de 1º lugar" O reconhecimento dos outros deixava de assumir a maior importância. O foco era posto em si e no que a deixava feliz. Fez-me tanto sentido. Mas estas duas histórias deixaram-me a pensar. Independentemente de eu me identifcar mais com uma do que com outra, o que descobri foi que quero apoiar cada uma a ser feliz na escola, à sua maneira. Se é a lutar pelo lugar no quadro de honra ou a ser a melhor a saltar à corda, pouco importa! Quero que sintam prazer e sejam felizes na forma como decidem viver as SUAS vidas. Amo-as assim. Às duas.

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