Quando regressámos de férias, as crianças descobriram que havia umas meninas que faziam pulseiras como as que eles aprenderam a fazer no Verão Verde lá no Palácio de Cristal, e que as vendiam, numa banquinha improvisada, à porta dos prédios da nossa rua.
Quiseram repetir o feito. Tinham recebido uns fios da madrasta e rapidamente criaram uma fábrica de fazer porta-chaves em macramé e pulseiras em linha de bordar. O Zé Maria foi o mais novo aprendiz. Fizeram um preçário, descobriram as moedas que tinham juntado da venda do verão anterior e lá foram eles, para a entrada do prédio fazer concorrência às outras meninas. Era domingo e nada se passava. Não havia vivalma na rua. Eles continuavam determinados a ir vender, fosse onde fosse. Entraram em modo brainstorming para descobrirem possíveis locais de venda. Resolvi ajudá-los. Ao almoço propus-lhes irmos até à Feira Solidária nas Mercês. Falámos sobre o que é ser solidário, como funcionaria a feira e preparei-os para o facto de terem de apresentar uma proposta. Como iriam ser solidários? O que iriam contrapropor à Associação Ponte por os deixar montar uma banca para venderem as suas coisas? Falou-se de percentagens, de ganhos, de ajuda... Foi mesmo giro. Deixei-os explicarem uns aos outros, só intervindo quando necessário.
Lá fomos nós. Lá montaram a banca. Lá encontraram amigas que os ajudaram a vender. Digno de ser visto. Determinados a cumprir o seu objectivo de venda (ainda falámos sobre isto no carro), intrepelavam qualquer pessoa que passasse no recinto da feira. "Vamos fazer publicidade", gritava um. Em grupo, levando uma amostra de cada produto, iam ter com as pessoas, para depois as convidarem a visitar a banca. Havia um que ficava de guarda ao estaminé. Anotaram todas as vendas. No final, fizeram contas - 20% das vendas revereteram a favor da Associação. De regresso a casa pediram-me para ir comprar mais matéria prima. "Quanto querem gastar?" / "Depende os preços do fio.", afirmaram. Expliquei-lhes a importância de definir, antes de entrar na loja, quanto queriam gastar; dialogámos sobre o que pode acontecer quando defininos ou não definimos um valor. E lá fomos nós.
Acho que valeu pela experiência. Estavam radiantes. Aprenderam tantas coisas num só dia... E sim confesso que me revi neles... O meu lado empreendedor que lá muito atrás também fazia pulseiras, molduras, agendas e tantas coisas mais para vender e depois ir, livremente, de férias!

Sem comentários:
Enviar um comentário